Exemplo de vida: Mundinha, a bonequeira do Crato

11:45 Fagner Soares 0Comentários


Aos oitenta anos, a senhora Raimunda Maria de Freitas, conhecida por “Mundinha”, residente em Crato, ainda costura bonecos de pano. Há mais de cinco anos começou a costurar bonecos de pano, um hobby especial, para lembrar da infância em Caririaçu. Aprendeu com a mãe esse ofício e nunca esqueceu. O primeiro boneco feito foi o do Padre Cícero, um ato de devoção ao santo popular tão falado durante a infância no sertão. Depois vieram outros personagens famosos, como Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Lampião e Maria Bonita e até o Beato José Lourenço, as inspirações na cultura sertaneja que ela tanto aprecia. 

“Eu fazia os bonecos para lembrar dos tempos da minha infância, da minha mãe querida, que era uma santa. Ela sentava no chão com seu balaio e os pedaços de pano e costurava a mão”, relata Mundinha. As roupas eram poucas, ela lembra que sua primeira alparcata foi comprada quando tinha dez anos e foi uma felicidade só. Tempos difíceis, mas vividos com muita alegria ao lado dos pais e dos dez irmãos.

Dona Raimunda Maria saiu de Caririaçu aos dezoito anos de idade, para cuidar das crianças do fazendeiro para o qual seu pai vaqueiro trabalhava. Mas nunca esqueceu da vida feliz na fazenda Serra Verde, toda vez que costura, volta no tempo e relembra parte da infância. 

Os bonecos confeccionados ficaram marcados na região e famosos em outros estados, muitas pessoas já passaram na casa dela para levar uma lembrança. Além dos personagens sertanejos, ela já fez o ex-presidente Lula, o cantor Michael Jackson, a turma do Chaves, o jogador David Luiz e até a presidente Dilma Rousseff.

Com uma alegria de viver de dar inveja a qualquer pessoa, além do seu artesanato de bonecos, ela adora fazer poemas. Mundinha se acha ainda uma criança, ‘Todos temos dentro de nós uma criança, eu ainda sou uma criança, lá no meu sertão e a criança sertaneja é feliz de qualquer maneira”, enfatiza.

Quando criança, o pai lhe ensinou a escrever o nome. Mas aprendeu a ler oficialmente aos sessenta anos e terminou o ensino médio aos sessenta e três e não parou mais de escrever. Ela possui um caderno só de poemas e pretende lançar ainda um livro sobre a sua história que já está escrevendo. 

“Eu nasci lá no sertão/No alto de uma chapada/Junto com a passarada/Lá passei minha infância/É um passado doído/De um sertãozão sofrido/Que eu trago na lembrança”.
 Fonte: Miseria.com.br
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