Petróleo em baixa obriga Venezuela a vender ouro para pagar dívida

19:00 Fagner Soares 0Comentários

Em seu discurso anual de informe de gestão, no último dia 15, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tratou com inusual sinceridade da situação econômica no país: ele a definiu como "catastrófica".

Com o país à beira do abismo, Maduro solicitou ao Parlamento que aprovasse um decreto de emergência econômica para aumentar o controle estatal -o pedido foi negado- e até lançou um apelo aos empresários.

Rompendo tabu, ele também disse que aumentará em breve o preço da gasolina, a mais barata do mundo.

Castigado nas urnas na eleição parlamentar de dezembro, quando a oposição arrebatou a Assembleia Nacional pela primeira vez em 17 anos, o governo chavista finalmente ensaia reação para pôr fim à espiral de desabastecimento generalizado, inflação de três dígitos e recessão que inferniza a vida dos venezuelanos.

Mas os esforços para reerguer a economia esbarram numa realidade que praticamente inviabiliza solução de curto ou médio prazo: a degringolada do preço do petróleo, fruto da combinação entre oferta saturada e demanda retraída pela desaceleração chinesa.

Em média, o barril vale hoje 70% menos do que em junho de 2014. Nem a escalada das tensões no Oriente Médio foi suficiente para amenizar a queda.

Isso representa um desastre para a Venezuela, um país rentista que tem na exportação de petróleo sua virtual única fonte de dólares e que depende destes mesmos dólares para importar quase tudo que consome e financiar subsídios e programas sociais.

O barril venezuelano, mais barato por exigir maior refino, fechou a semana em US$ 21,63 -quase US$ 3 a menos do que na sexta-feira anterior.

Com custo de produção em US$ 18, a Venezuela hoje obtém apenas US$ 3,63 por barril exportado para pagar dívidas e manter o país funcionando. O país exporta cerca de 2,5 milhões de barris diários.

Caracas, que detém as maiores reservas petroleiros do mundo, pressiona outros produtores a elevar preços. O presidente da estatal petroleira PDVSA, Eulogio Del Pino, defendeu na semana passada um barril a US$ 60. Mas, por razões geopolíticas ou de estratégia de mercado, a maioria dos grandes exportadores prefere o status quo.

Ao contrário do Irã, por exemplo, a Venezuela não diversificou sua economia nem acumulou reservas. Hoje, todos os indicadores venezuelanos estão no vermelho.

"O presidente Hugo Chávez [1999-2013] estava convencido de que o petróleo iria subir indefinidamente e não só não alimentou fundos especiais como gastou tudo e se endividou a níveis impressionantes", diz o economista José Toro Hardy, ex-diretor da PDVSA.

Fonte: Folha.com

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