Cariri tem dificuldades no combate ao Aedes aegypti

11:38 Fagner Soares 0Comentários

A preocupação dos órgãos de saúde pública com os números de pessoas infectadas pelo mosquito Aedes aegypti tem refletido na intensificação de ações e elaboração de estratégias de combate ao vetor. A Secretaria de Saúde de Crato informou que o índice municipal de endemias relacionadas ao inseto está acima do que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em dez anos, o limite seria de 1.0. Hoje, o índice está em 1.22. Em menos de três meses, há 115 notificações só de dengue.

Com o aumento de pessoas infectadas pelo Aedes aegypti, cresceu não só a preocupação de como os órgãos de saúde pública do Município vêm controlando o vetor, mas como funciona o processo de diagnóstico e tratamento na cidade. Para explanar sobre isso, o vereador Amadeu de Freitas realizou audiência pública com participação das autoridades competentes. Entre elas, a coordenadora de Vigilância e Saúde do Município, Daniele Norões, que explicou as dificuldades desde a notificação dos casos.

“Os diagnósticos da dengue, febre chikungunya e zika são de forma endêmica, epidemiológica ou laboratorial. Os exames são realizados, na maioria dos casos, no laboratório particular Vicente Lemos. Nos casos de confirmação de uma das doenças correlatas ao mosquito, a Secretaria faz as notificações aos pacientes. No entanto, a falta de dados, como número de telefones e endereços, dificulta o processo. Além disso, o valor do exame para o zika vírus é inacessível para muitos pacientes”, observou a coordenadora.

No caso de gestantes infectadas pelo zika vírus ou bebês com microcefalias, o Município arca com os exames. Com a solicitação médica, a coleta é encaminhada ao Lacen, que reencaminha a São Paulo, para um laboratório especializado. Segundo Daniele, como há 100 possibilidades de correlação do vírus com a microcefalia, é preciso uma investigação aprofundada para ter certeza dos casos que estão realmente relacionados ao zika. Em Crato, há três notificações sendo investigadas.

O secretário da pasta, Alexandre Almino, ressaltou que enquanto não há laboratório referenciado para o exame do zika, assim como a vacina, que pode demorar entre cinco a dez anos para ser confeccionada, o poder público e a população devem se unir para combater o mosquito. Semanalmente, há reuniões para discutir ações de controle nos locais com maiores infestações prediais.

Um projeto de lei está na Procuradoria Geral, para formatação jurídica e, em breve, deve seguir para apreciação dos vereadores cratenses. A intenção é normatização a corresponsabilidade da população no combate ao Aedes, em consonância, ainda, com o Plano Nacional de Mobilização. “O mosquito vem se adaptando, com poder de proliferação e infestação. Ele tem resistido até ao inseticida, por isso que o uso deste deve ser evitado. Reduziremos o mosquito com apenas dez minutinhos de cuidados por dia.

Casos em Potengi

Potengi enfrenta uma epidemia por conta do Aedes aegypti. Em média, 300 pessoas procuram as unidades de saúde apresentando os sintomas de dengue ou zika, diariamente. Dos 12 mil habitantes, estima-se que 50% da população já contraiu uma das doenças causadas pelo mosquito.

Para o médico Luis Geraldo de Oliveira Neto, essa é uma situação de calamidade. “Os profissionais de saúde também estão adoecendo, estamos com dificuldades para manter a escala, porque a cada dia mais médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem contraem alguma das doenças. A maioria dos casos é dengue.

O médico apela para o Governo do Estado intervir no Município. Ele acrescenta dizendo que mais de 200 injeções são aplicadas, por semana, e os leitos de saúde estão abarrotados de pessoas com os mesmos sintomas. Diante disso, o prefeito da cidade, Samuel Alencar, pede o apoio da população e dos poderes estadual e federal. “Precisamos da presença do Exército, de mais voluntários e serviço de apoio, inclusive, para diagnosticar e comprovar os casos”, pontuou o gestor.

O radialista Josivan destaca que o número de agentes de endemias tem sido insuficiente para garantir maior controle da situação e há muito lixo nas ruas, contribuindo com a proliferação do mosquito. Como relata a professora Ana Lúcia Santos, as escolas da rede municipal paralisaram suas atividades até esta segunda-feira (7) porque alunos, professores, diretores e outros servidores estão doentes.

O estudante Luciano Lima entende a importância da colaboração de todos. “Sabemos que numa rua inteira, se apenas uma família não adotar os cuidados para eliminação dos criadouros do mosquito, toda a população em volta está em risco. É preciso que seja montada uma força-tarefa sim, mas o papel mais importante é o de todos nós moradores. Falta mesmo é consciência e vontade”. (Colaborou Amaury Alencar)

Fonte: Jornal do Cariri

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