Crise chega a Bar do Lula, comandado por sósia do ex-presidente

13:15 Fagner Soares 0Comentários

“Meu nome é Lula”. Não é fácil descobrir uma identidade secreta. Apenas poucos eleitos sabem que o dono do famoso Bar do Lula, no bairro Cachambi no Rio de Janeiro, se chama Belarmino Oliveira, de 64 anos. Nascido no Méier, pai de três filhos, avô de um neto, o sósia do ex-presidente hoje espelha o desespero dos comerciantes num país em crise. Após sofrer vários problemas de saúde — pressão descontrolada, diabetes — causados por estresse, vendeu o bar. Com tristeza.

— É duro. Investi mais de R$ 800 mil aqui e estou entregando, não vendendo. Ninguém entra para comer nada. É triste, você trabalha a vida toda, investe e tem que se desfazer de tudo. Eleitor de Lula e de Dilma, o empresário é a expressão do desencanto.

Em seu discurso, mais interrogações do que certezas sobre o futuro.

— Nosso Congresso é uma vergonha. E a Dilma foi um golpe para nós. Votei nela por causa do Lula, mas parece que ela gravou tudo que o Aécio dizia e aplicou. Tudo que ela falou que não faria ela fez. Vai acabar todo mundo desempregado ou na informalidade. Antes ovacionado pela semelhança com o líder petista, hoje o Seu Lula do Cachambi sofre com o apelido. Até num aplicativo de pocker no celular sofre bullying dos jogadores.

— Entro com o nome Lula e começam a me chamar de ladrão. Xingam: “Vai roubar, safado”. Nunca respondi. Entrei sem ficha e hoje tenho 130 mil — orgulha-se o homem que começou a trabalhar como vendedor de porta em porta aos 12 anos, tornou-se gerente de grandes empresas e depois comerciante na região onde nasceu e construiu família.

Engana-se quem pensa que Seu Lula vai pendurar as chuteiras. Como disse o sósia famoso, “a jararaca tá viva”. Workaholic, ele planeja seu negócio de churrasco delivery e mantém apoio ao ex-presidente.

— Não se pode acusar sem provas. Ele tem dois pedalinhos? Vale o escrito, e não vi nada. Se nada for provado, voto no Lula de novo.

Zoeira no balcão do bar

O Supremo vem aqui, hein? Daqui a pouco chega o Dias Toffoli, o Marco Aurélio de Mello”, brinca um dos clientes com o dono do bar, em meio à polêmica sobre a nomeação de Lula como ministro. No julgamento do boteco, “botar a mão no homem vai ser difícil”.

— Essas manifestações são feitas por pessoas que nunca foram a favor do Lula. No Rio, estão as maiores fortunas. E são contra o Lula. Meu cunhado é antilulista roxo. Ele diz que vão prender o Lula, mas é difícil. Ele não é burro, não vão achar provas — arrisca, num tom quase de torcida, o comerciante, que se prepara para entregar seu bar ao novo dono nos próximos dias.

Brizolista histórico, o vendedor André Luiz Giannini é um dos que caem na pele do sósia de Lula no bar:

— Sempre fui PDT, nunca PT. Quando o PT era oposição, só dizia “não”. Depois foi governo e não teve uma proposta consistente. Fizeram um governo populista e infiltraram muita gente. O Palocci, por exemplo, sempre foi da elite. Já entre os garçons, como o sergipano Genival Santos, de 36 anos, o prestígio do ex-presidente está intocado:

— Lula foi nosso melhor presidente. Nunca ninguém fez tanto pelo Nordeste. Voto de novo nele.

São inúmeras lojas fechando, um monte de gente desempregada. O governo virou nosso inimigo. Só pensa em aumentar impostos. A gente dá emprego a muitas famílias e paga o gás mais caro, a luz mais cara. A presidenta diz que vai botar CPMF para salvar o Brasil. Desde quando isso salva o Brasil? Em 40 anos, nunca vi nada parecido no país. Hoje, só se beneficia no Brasil quem rouba o povo e faz delação premiada.

Fonte: Extra Online

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