Micróbios da mãe moldam sistema de defesa do bebê ainda no útero - Rádio São Pedro Fm 105,9

Post Top Ad

Micróbios da mãe moldam sistema de defesa do bebê ainda no útero

Share This
Mães tentam proteger seus filhos de micróbios assim que eles nascem, buscando o máximo de higiene possível _esterilizando mamadeiras ou chupetas e sendo em geral maníacas por limpeza com tudo ligado ao bebê. Uma nova pesquisa mostra que o "cuidado maternal" contra microrganismos é ainda mais precoce: surge antes do parto, embora seja inconsciente.

O feto vive em um ambiente estéril e protegido dentro da barriga da mãe, mas quando vem ao mundo, está sujeito a múltiplos riscos de infecção. A equipe de pesquisa de Mercedes Gomez de Agüero, da Universidade de Berna (Suíça), mostrou agora que a atitude de mãe superprotetora está gravada no seu organismo: os micróbios do corpo das mamães ajudam a moldar o sistema de defesa da futura criança ainda dentro do útero.

O estudo foi feito com camundongos e foi publicado na revista científica americana "Science". Mas os resultados valem para a grande maioria dos mamíferos, incluindo o ser humano.

"Durante a gravidez o feto habita um ambiente em grande parte estéril no útero, protegido de infecções pela imunidade maternal", dizem os autores; "ao nascimento, a situação muda dramaticamente quando as superfícies do corpo se tornam progressivamente colonizadas com micróbios, diretamente expondo o sistema imune neonatal imaturo a potenciais patógenos (micróbios causadores de doenças)".

O leite materno contém substâncias que ajudam a produzir imunidade no bebê; mas nem sempre isso é suficiente. A validade prática deste tipo de estudo fica clara quando se nota o que pode acontecer depois do nascimento.

"A consequência dessa transição para a saúde humana é que a maior parte da mortalidade infantil em todo o mundo até cinco anos de idade é devida a doença infecciosa", afirmam Agüero e colegas. Logo, alguma forma de terapia derivada deste tipo de pesquisa e capaz de ativar o sistema de defesa infantil reduziria a mortalidade.

Mamíferos costumam ter dentro do organismo, especialmente no intestino, comunidades de micróbios variados, chamados de "microbiota". São micróbios em geral "do bem" que ajudam a prevenir infecções por seus colegas "do mal".

Bebês logo adquirem sua própria microbiota. Mas só com esse novo estudo que se notou que o microbiota materno já tinha começado a moldar seu sistema de defesa bem antes do nascimento.

O principal experimento do estudo envolveu infectar temporariamente fêmeas prenhes de camundongo com uma bactéria modificada por engenharia genética, uma linhagem da comum Escherichia coli, que não permaneceria todo o tempo no intestino. A fêmea estaria livre de germes na hora do parto e os filhotes também nasceriam sem o micróbio.

Mas se demonstrou que o sistema imunológico (de defesa) dos filhotes foi afetado pela bactéria, mesmo sem ter tido contato direto com ela. O mesmo foi observado em fêmeas temporariamente infectadas por um "coquetel" de oito outros micróbios típicos.

Os pesquisadores foram além e descobriram que os filhotes das mães "temporariamente colonizadas" pelos micróbios também tiveram maior ativação de genes ligados à defesa do organismo, ou à divisão e diferenciação das células.

Eles concluíram que não foram os micróbios diretamente, mas sim os anticorpos das mães que os atacaram; e restos de suas moléculas ativaram precocemente o sistema de defesa do feto, preparando-o para a vida fora do útero.

"No nosso sistema experimental, micróbios vivos não estão mais presentes no nascimento; nós não detectamos micróbios vivos na placenta ou no recém-nascido", dizem os autores; "em outras palavras, os anticorpos maternos não só protegem o recém-nascido através da neutralização do patógeno, mas também têm um efeito mais geral na promoção da transferência molecular microbiana".

Os pesquisadores resumem: "os constituintes moleculares da microbiota materna são capazes de preparar a imunidade inata neonatal a tempo para o tsunami de micróbios que sucessivamente vão colonizar o intestino".

Fonte: Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Bottom Ad