PF acha documentos que sugerem cartel e propina em obra de Alckmin

15:28 Fagner Soares 0Comentários

A Polícia Federal (PF) apreendeu documentos que sugerem formação de cartel e pagamento de propina em obra de duplicação da Rodovia Mogi-Dutra, feita em 2002, durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo. Um email e um manuscrito apreendidos num endereço relacionado a Benedicto Barbosa da Silva Junior, executivo da Odebrecht, citam a obra da rodovia juntamente com o nome de empreiteiras, valores e uma quantia direcionada a um codinome identificado como “Santo”.

Em nota, a gestão Alckmin informou que: “A licitação para a referida obra foi vencida pela empresa Queiroz Galvão. Quem tem que explicar as anotações mencionadas pela reportagem é quem as fez. Como a regra do governo do Estado é a total transparência, o documento foi enviado para apuração da Corregedoria Geral da Administração. Já a partir de segunda-feira, o corregedor-geral, Ivan Agostinho, irá requerer à Polícia Federal permissão para o acesso a depoimentos que esclarecem essas anotações.”

O documento será investigado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, pelo Tribunal de Contas do Estado e também pela Corregedoria Geral da Administração.

MANUSCRITO
O nome “Mogi-Dutra” foi identificado no cabeçalho de uma folha de papel com o nome do engenheiro Celso da Fonseca Rodrigues. Ele foi denunciado como um dos responsáveis pelo acidente nas obras da Linha 4 do Metrô, que matou sete pessoas, em 2007.

Em seguida, no manuscrito há a inscrição “valor da obra = 68.730.000 (95% do preço DER)”. Logo abaixo, está escrito “custos c/ Santo = 3.436.500”.

De acordo com reportagem do jornal O Globo, em 7 de fevereiro de 2002, a empresa Queiroz Galvão venceu a licitação para a obra citada ao apresentar uma proposta no valor de R$ 68.678.651,60. Outras quatro empresas participaram do processo e ofereceram valores mais altos: Andrade Gutierrez (R$ 70.289.183,79), OAS (R$ 70.757.632,83), Serveng (R$ 70.905.164,80) e Odebrecht (R$ 72.091.318,75).

O manuscrito contém ainda uma “acomodação de mercado”, seguido das siglas SC, CCCP e CTP. Depois, aparece a inscrição “compromissos CNO” e novamente o nome “Santo” seguido da cifra 687.300. O documento indica que Santo receberia da Odebrecht um pagamento parcelado: R$ 60 mil em fevereiro, na homologação do contrato, R$ 60 mil na assinatura, em março, e, depois, R$ 567.300. No final da página, há uma divisão, que não que ainda não foi identificada, apresentada como: QG-titular 19%, CNO 19%, AG 19%, OAS 19%.

EMAIL
No mesmo endereço do manuscrito, os investigadores da Operação Lava-Jato encontraram um email do engenheiro Rodrigues enviado para executivo da Odebrecht, Silva Júnior no dia 19 de agosto de 2002. Nele, Rodrigues diz que, com relação ao contrato com o DER, do governo paulista, a Odebrecht teria que receber R$ 23,1 milhões e pagar R$ 2,5 milhões. Rodrigues também diz no email “Veja a composição do nosso direito no BID” — bid significa oferta, em inglês . Abaixo, lista como “Direitos”: “Cota CNO Aprxo. 12 milhões”, “Pgto da cota de Mogi à CNO pela Queiroz Galvão: 9,5 milhões” e “Pgto da cnta de Mogi à CNO pela OAS: 1,6 milhões”. Ao final, aparece como “Obrigações” “Pgto de cota de Mogi à Serveng pela CNO: 2,5 milhões.

Silva Júnior encaminhou o email para outro executivo da empreiteira, João Borba Filho, no dia seguinte. Hoje, Borba Filho é presidente do Sindicato Nacional Da Indústria da Construção Pesada (Sinicon).

PROPINA
De acordo com as investigações da Lava-Jato, a Odebrecht teria um departamento responsável pelo pagamento de propina a políticos, que eram identificados nas planilhas com apelidos, como “Nervosinho” (Eduardo Paes, PMDB-RJ), “Caranguejo” (Eduardo Cunha, PMDB-RJ) e “Passivo” (Jorge Wagner, PT-BA). A Justiça decretou sigilo sobre as planilhas por citar políticos com mandato.

O governo de São Paulo declarou que vai requerer acesso aos depoimentos que esclarecem as anotações encontradas.

Fonte:estadao
face

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