Trabalhador com mais estudo perdeu mais renda em 2015 no Brasil

13:45 Fagner Soares 0Comentários

Os trabalhadores com ensino médio completo ou escolaridade superior tiveram em 2015 perda salarial proporcionalmente maior do que as pessoas com menos anos de estudo, nas seis maiores regiões metropolitanas.

Com a oferta de emprego mais restrita na crise, os profissionais com mais instrução aceitaram salários mais baixos e funções de menor qualificação para conseguir novo trabalho, dizem economistas.

Segundo dados da pesquisa de emprego do IBGE, o rendimento real (que desconta a inflação) dos ocupados com 11 ou mais anos de estudos recuou de R$ 2.884 em 2014 para R$ 2.747 no ano passado, queda de 4,8%.

Essa perda superou -em termos absolutos e proporcionais- a dos ocupados sem instrução ou menos de oito anos de estudos, que foi de 2,8%, para R$ 1.252. E também foi maior que a dos trabalhadores com oito a dez anos de estudo -baixa de 3,2%, para R$ 1.371.

Segundo Thiago Xavier, economista da Tendências, o fato de a crise ser prolongada -pode ser uma das mais longas e intensas recessões já documentadas no país- estaria gerando uma subalocação da força de trabalho.

"Os trabalhadores desempregados têm cada vez menos opções de vagas à medida que a crise se prolonga. Eles então acabam aceitando postos com salários menores e em áreas diferentes."

Os profissionais estão aceitando receber menos para ocupar até as mesmas funções, mostra levantamento da agência Page Personnel com 10 mil candidatos (a maioria de ensino superior).

A expectativa de salário caiu 43%, na média. Um engenheiro de projetos em construção civil esperava ganhar de R$ 8.000 a R$ 12 mil mensais no início do ano passado. Ele agora aceita de R$ 6.000 a R$ 8.000 para desempenhar o mesmo trabalho.

Isso também aconteceu em outras funções e carreiras, como gerente de marketing, coordenador de TI e analista de comércio exterior, de acordo com a pesquisa da agência de recrutamento.

"Há mais profissionais qualificados disputando a mesma vaga, então o salário cai. Para a empresa, é bom neste momento pagar menos, porque ela precisa cortar salários", disse Lucas Oggiam, gerente da Page Personnel.

Fonte: Folha de S.Paulo

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