Após infração, promotor quer volta de Suzane Richthofen ao regime fechado

09:25 Fagner Soares 0Comentários

O parecer do Ministério Público sobre o falso endereço dado por Suzane von Richthofen na saída temporária de Dia das Mães considerou que ela cometeu uma falta grave e sugere regressão do regime semiaberto, no qual a detenta cumpre atualmente, para o fechado. O documento foi entregue nesta quarta-feira (15) à Vara de Execuções Criminais (VEC), que vai impor a pena pela infração - não há prazo para decisão.

Contrariando a conclusão da sindicância da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), o parecer assinado pelo promotor  Alexandre Mourão Mafetano, de Taubaté, considera que Suzane agiu de má-fé, já que informou o mesmo endereço incorreto em duas saídas temporárias. Ele destacou que também houve divergência no contato telefônico informado pela detenta.

Se a Justiça concordar com a promotoria, Suzane vai perder o direito às saídas temporárias e também o direito a cursar faculdade. O promotor sugere ainda que ela perca um terço dos dias remidos - que é ao abatimento da pena a ser cumprida.

No caso de Suzane, que trabalha na unidade prisional há pelo menos 10 anos, ela tem a redução de um dia de pena a cada três dias trabalhados.

Flagrante

Antes de ser flagrada no Dia das Mães pela reportagem do Fantástico em endereço diferente do informado à Coordenadoria dos Estabelecimentos Prisionais do Vale do Paraíba (Corevali), Suzane já tinha cometido o mesmo engano na saída temporária de Páscoa - a primeira em que teve o direito ao benefício desde que foi condenada a 39 anos de prisão por envolvimento na morte dos pais, em 2006. O crime foi em 2002.

Em março, Suzane também permaneceu fora da penitenciária Santa Maria Eufrásia Pelletier - entre os dias 11 e 14 -, beneficiada pela ´saidinha´. Na ocasião ela esteve na casa uma colega de cela, que ofereceu abrigo a ela na zona rural de Angatuba (SP).

O endereço informado às autoridades, no entanto, nas duas ocasiões, era de um antigo estabelecimento comercial fechado, que pertenceu à família desta colega - não era da casa onde Suzane permaneceu. A responsabilidade de informar onde vão ficar durante o benefício da saída é dos detentos.

"O fato de que o mesmo vício já havia acontecido em saída temporária anterior não favorece a sentenciada, porque naquela oportunidade tomou ciência de que o endereço fornecido era falso ou incorreto. Não obstante voltou a fornecê-lo, crente de que seria desobediência", diz trecho do documento.

Além disso, o promotor considera que o erro pode vislumbrar a intenção de Suzane em desobedecer as condições da saída temporária para outra finalidade.

"Além de fornecer endereço errado de seu contato, o telefone no qual foi contatada pertence a um terceiro (Rogério) que não foi mencionado como contato", diz outro trecho do despacho. Rogério é o novo namorado de Suzane. A direção do presídio só conseguiu contato com ela após a descoberta do endereço falso, no número telefônico dele.

Sindicância

A sindicância que apurou a conduta de Suzane concluiu em 24 de maio que a presa não agiu de má-fé e sugere à Justiça, como penalidade pela infração, a suspensão temporária do direito as saídas temporárias por seis meses - com isso, ela perderia a saidinha de Dia dos Pais e das Crianças, mas não regrediria definitivamente para o regime fechado.

Como pena pela infração, Suzane foi colocada por 10 dias em uma cela solitária assim que retornou antecipadamente da saída temporária de Dia das Mães. Ela foi recapturada por policiais militares.

As demais penas serão definidas pela Justiça, por meio da VEC após analisar o resultado da sindicância e o parecer da promotoria.

Outro lado

O G1 procurou a Defensoria Pública para comentar o assunto nesta quarta-feira e aguardava o retorno do órgão na ocasião da publicação desta reportagem.

Fonte: G1
face

0 comentários: