Chuvas deixam mais de 40 mil desalojados e 31 cidades afetadas em AL e PE

17:17 Fagner Soares 0Comentários



Moradores fazem limpeza após a chuva que atingiu o centro de Palmares, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, nesta segunda-feira (Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem/Estadão Conteúdo)

As chuvas ocorridas no fim de semana deixaram cerca de 40 mil pessoas desalojadas em Alagoas e Pernambuco. Ao todo, 31 municípios foram afetados pelas enchentes causadas pelas chuvas nos dois Estados, segundo dados da Defesa Civil de Alagoas e da Codecipe (Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco) divulgados nesta segunda-feira (29).

Em Pernambuco, já são 35 mil pessoas desalojadas e 15 cidades em estado de calamidade, todas localizadas nas regiões do Agreste e Zona da Mata Sul do Estado. Os dados foram atualizados às 14h30 pela Codecipe.

Já Alagoas possui 1.688 famílias desabrigadas e desalojadas e 16 municípios afetados pelas enchentes. A Defesa Civil de Alagoas contabiliza uma média de três pessoas por família, o que totaliza 5.064 pessoas atingidas.
A Codecipe contabiliza o número de desalojados por pessoa. Já a Defesa Civil de Alagoas registra o número por famílias.

As cidades em estado de calamidade em Pernambuco são Amaraji, Água Preta, Barreiros, Barra de Guabiraba, Belém de Maria, Caruaru, Catende, Cortês, Gameleira, Jaqueira, Maraial, Palmares, Ribeirão, Rio Formoso e São Benedito do Sul.

Uma equipe da Codecipe avalia os estragos da chuva no município de Gravatá, cortado pelo rio Ipojuca, para saber se a cidade está nos parâmetros para entrar no decreto de situação de emergência do governo do Estado.

Segundo a Apac (Agência Pernambucana de Águas e Clima), os três municípios em que mais choveu nas últimas 24 horas foram Rio Formoso, com 106,73mm, Ipojuca, com 94,45mm, e Sirinhaém, com 91,71mm, todos localizados na Zona da Mata Sul.

Em Pernambuco, o grande volume de água o encheu os rios das regiões da Zona da Mata Sul, Mata Norte, região Agreste e da RMR (Região Metropolitana do Recife. As cidades litorâneas tiveram situação agravada com a maré alta ocorrida no fim de semana. Porém, nesta segunda-feira, a Defesa Civil informou que o enfraquecimento do volume de chuva e a maré baixa estão facilitando o escoamento das águas.

A Codecipe informou que os rios da RMR, do Agreste e da zona da Mata Norte encontram-se com os níveis baixos. Entretanto, a APAC emitiu um alerta, nesta manhã de segunda-feira, para retirada de moradores das áreas ribeirinhas em Barreiros, localizada na zona da Mata Sul. O rio Una está na cota de um metro para extravasar.

No fim de semana, três pessoas morreram devido ao temporal que atingiu a região Agreste de Pernambuco. Um casal morreu soterrado na cidade de Lagoa dos Gatos e uma mulher foi arrastada pelas águas do riacho do Mocó em Caruaru. Um homem foi arrastado pela água na estrada de Lagoa de Pedra, zona rural de Caruaru, e está desaparecido. Os municípios mais atingidos pelas chuvas são Ribeirão, que está totalmente isolado, e Rio Formoso, onde centenas de casas e o hospital municipal foram inundados.

A elevação do rio Ipojuca, em Caruaru, levou a Defesa Civil Municipal a orientar que 90 idosos que residem na Casa dos Pobres, localizada no parque 18 de Maio, região central, fossem retirados para outro local longe do rio, na noite do sábado (27). Os idosos estão alojados no Seminário Diocesano, no bairro Petrópolis.

Boletim da Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) emitido nesta tarde informa que as chuvas ocorridas na região Agreste elevaram para 45% o nível da barragem do Prata, no município de Bonito, principal manancial do sistema de abastecimento de Caruaru.

A Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) informou que as chuvas ocorridas na região Agreste elevaram para 30% o nível da barragem do Prata, no município de Bonito, principal manancial do sistema de abastecimento de Caruaru. O reservatório estava em situação de colapso, com 12,73% da sua capacidade. Caruaru enfrenta problemas com fornecimento de água e, atualmente, está passando 20 dias sem água nas torneiras.

Segundo o informe hidrometeorológico da Apac, entre as 9h deste domingo e as 6h de hoje ocorreram chuvas fracas e em pontos isolados da Região Metropolitana de Recife e região da Zona da Mata. Os maiores valores ocorreram em Goiana (4,6 mm) e Moreno (1,6 mm). A previsão é de que chuvas moderadas e intensas ocorram ao longo do dia na Mata Norte, na Mata Sul, na Região Metropolitana do Recife e região Agreste do Estado.

O governo do Estado informou que instalou um gabinete de crise nos municípios atingidos pelas enchentes para facilitar as ações emergenciais às vítimas. 250 homens do Corpo de Bombeiros e da Codecipe foram enviados às regiões atingidas para ajudar as equipes que já estavam nas cidades auxiliando as pessoas.

Alagoas

Em Alagoas, o principal problema no Estado foi a elevação do nível das lagoas Mundaú e Manguaba, que banham 13 municípios da região da zona da mata.

A cidade com mais famílias afetadas é Pilar, na região metropolitana de Maceió, que tem 400 famílias desabrigadas. Em Marechal Deodoro são 297 famílias que deixaram suas casas e estão em abrigos espalhados pela cidade. As duas sofreram com a cheia das lagoas.

Em Maceió, quatro pessoas morreram por conta do deslizamento de barreiras, e outras quatro estão desaparecidas. Não houve novas ocorrências graves desde a noite do domingo, quando as chuvas diminuíram. O prefeito Rui Palmeira (PSDB) decretou calamidade pública no sábado (27).

Com a elevação do nível do rio Jacuípe em 3,6 metros, a cidade de mesmo nome, na região norte, está ilhada e só é possível acesso por meio de barco. A água chegou a cobrir todas as ruas do centro. A prefeitura informa que há 600 desabrigados e desalojados, mas a Defesa Civil Estadual informa apenas 80.

A Polícia Rodoviária Federal informou que não há mais pontos de interdição em rodovias federais em Pernambuco e Alagoas. No sábado, houve interdições parciais em rodovias federais em pelo menos oito pontos em Alagoas e três pontos em Pernambuco.

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), esteve em Maceió e Recife, na noite deste domingo (28), para uma reunião com os governadores Renan Filho (PMDB) e Paulo Câmara (PSB). Os dois Estados pediram ajuda de recursos federais para auxiliar as vítimas das enchentes. Os valores não foram informados.

O governador Renan Filho pediu a assinatura de uma MP (Medida Provisória) para o Programa de Contenção de Enchentes do Vale do Mundaú e do Paraíba. O governo de Pernambuco está preparando um relatório das ações que serão necessárias para as vítimas das enchentes. O documento tem prazo de conclusão até esta terça-feira (30).

Temer informou que vai oferecer empréstimo ao governo de Pernambuco no valor de R$ 600 milhões para conclusão de obras das barragens de contenção para prevenção de enchentes nas cidades atingidas pela chuva. O empréstimo será pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Várias instituições e órgãos estão arrecadando donativos para vítimas das chuvas em Alagoas e Pernambuco.

Fonte: UOL



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