Crise financeira reduz força dos prefeitos cearenses para as eleições de 2018 no Estado

08:59 Fagner Soares 0Comentários



O prefeito Roberto Cláudio é apontado pelos políticos como o gestor municipal com melhores condições de apoio aos candidatos majoritários (Foto: Reprodução)

Desde 2014, quando da eleição de Camilo Santana ao Governo do Estado, a parceria com o prefeito Roberto Cláudio vem se solidificando, e ele tem sido apontado como um dos principais apoiadores do chefe do Poder Executivo para o pleito de 2018. No entanto, a maior parte dos gestores municipais não serão bons eleitores, no referente a apoios aos candidatos majoritários (governador e senador), por conta das dificuldades que têm encontrado na gestão, porquanto, principalmente, da falta de recursos, deixando-os desgastados nos respectivos municípios.

De acordo com informações de deputados da Assembleia Legislativa, muitas gestões no Ceará estão enfrentando dificuldades financeiras devido aos poucos repasses feitos pela União e devido a permanente crise econômica que atinge o País desde 2014. Com isso, a tendência é que o eleitorado, segundo informaram os parlamentares, não atenda às orientações de muitos desses gestores.

Em 2014, o então candidato ao pleito governamental, Camilo Santana, contou com Roberto Cláudio como o seu principal cabo eleitoral em Fortaleza. No entanto, já em 2012, ainda como secretário do Governo Cid Gomes, o governador já havia contribuído para a primeira eleição de Roberto Cláudio. No ano passado, a parceria se repetiu e será reproduzida outra vez em 2018.

No ano eleitoral, como foi mostrado no encontro da última sexta-feira no Palácio da Abolição, o prefeito Roberto Cláudio, em parceria com o Governo do Estado, será o responsável por uma grande quantidade de obras na Capital, melhorando ainda mais a sua força eleitoral.

No entanto, a grande maioria dos prefeitos do Ceará não poderá se colocar como bom eleitor de Camilo Santana, conforme informaram parlamentares aliados do próprio governador. Segundo disse o deputado Sérgio Aguiar (PDT), Roberto Cláudio e alguns prefeitos reeleitos estão tendo a oportunidade de consolidar suas ações de Governo, o que significa que serão grandes eleitores na transferência de votos para 2018.

Opção

Entretanto, aqueles que ainda não completaram um ano de gestão, eleitos no pleito do ano passado, estão enfrentando situações graves, pois as transferências constitucionais estão abaixo do esperado e a economia segue paralisada. "Eu tenho conhecimento que muitos deles não irão ser bons eleitores no próximo ano", disse Aguiar.

O parlamentar afirmou ainda que há muito tempo vem defendendo a tese de que os gestores municipais não são a melhor opção quando se trata de ir em busca de apoios para votos durante o período eleitoral. "Os prefeitos não são grandes eleitores. Poucos são aqueles que têm suas administrações tidas como ótimas ou boas, contam-se nos dedos das mãos. O importante é termos alinhamento entre o poder central estadual e os municípios", defendeu.

Para Carlos Felipe (PCdoB), "o grande motor da economia no Interior são as prefeituras, que hoje passam por desgastes grandes, devido a crise econômica, que acaba por afetar os municípios e seu eleitorado", afirmou. De acordo com o parlamentar, quase a metade das prefeituras do Estado terá dificuldades para pagar o 13º salário do servidor público, o que complicará ainda mais a situação.

Para ele, a aproximação de Camilo Santana com o eleitorado é o que fará a diferença na hora do voto. "Temos que ver se serão tão significativos. A forma como o governador faz, de se aproximar diretamente do eleitor, a simplicidade que ele tem, ele faz um link direto com o eleitor. Quando ele conversa com a sociedade é o que importa", diz.

Fundamental

Para Manoel Santana (PT), do ponto de vista administrativo, a troca de apoio entre a gestão Municipal e o Governo fortalece a administração. "Na medida em que se tornam eficientes, cria-se dividendos eleitorais para os parceiros. Esse trabalho deve se expandir para outras cidades do Interior", afirmou. Ele destacou ainda que quando há soma de duas administrações com dados positivos, ganham os Governos Municipal e Estadual, ficando o prefeito bem eleitoralmente.

O deputado Fernando Hugo (PP) destacou que Fortaleza tem um farto colégio eleitoral que decide as eleições, e que, portanto, a aliança entre Prefeitura e Governo do Estado será benéfica para o pleito de 2018 para Camilo Santana. "Eu só vi uma parceria semelhante a essa no início da década de 1960, com Virgílio Távora governador e Murilo Borges prefeito de Fortaleza. Foi assim que, àquela época, a cidade exuberou-se de obras. Faz-se agora uma parceria gigantesca, inclusive, com a participação do senador Eunício Oliveira", destacou.

O líder do Governo na Casa, Evandro Leitão (PDT), disse que o prefeito Roberto Cláudio terá importância fundamental no pleito do próximo ano, não só por conta do tamanho do eleitorado da Capital, mas por conta dos projetos que conseguiu viabilizar para o Município. "A participação do prefeito no pleito é de fundamental importância, obviamente, por ser a cidade grande e com maior repercussão. Essa relação entre prefeitos e o Governo é importante para que o Estado continue a crescer", enfatiza o parlamentar.

Fonte: Diário do Nordeste


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