Sem regulação, placas escondem a arquitetura de prédios históricos no centro do Crato

20:04 Fagner Soares 0Comentários


Edifício Antônio Luiz, entre as ruas Dr. João Pessoa e Bárbara de Alencar (Foto: Felipe Azevedo/ Agência Miséria)

Além das belezas naturais, a história de personagens como Bárbara de Alencar e outras tantos detalhes, o Crato também apresenta uma arquitetura antiga que permanece escondida. 

No centro comercial da cidade, a maioria dos comerciantes prefere não preservar a fachadas dos prédios históricos, cobertas pelas placas dos estabelecimentos. A iniciativa é mais barata e faz parte da estratégia de marketing, mas passa a ser nociva à história. 

No cruzamento entre as ruas Dr. João Pessoa com a Bárbara de Alencar, está um dos mais latentes exemplos. O imponente Edifício Antônio Luiz é um dos mais importantes para a memória cratense, mas quase não é possível vê-lo. 

Parte da arquitetura antiga aparece por trás das placas nos estabelecimentos (Foto: Felipe Azevedo)



Quem destaca é o radialista Huberto Cabral, que conhece como poucos a história detalhada da cidade. Memorialista, Cabral relembra que o prédio foi a casa do primeiro bispo da região. Hoje, funciona ali uma pastelaria no térreo e um consultório odontológico no primeiro andar; duas placas enormes cobrem a arquitetura antiga.

São poucos os que investiram em um projeto especial na fachada do estabelecimento. É o caso, por exemplo, da Eletrônica Sonora, que fica no meio de um dos quarteirões da Dr. João Pessoa. O proprietário, em conversa com o Miséria, diz que preferiu preservar a arquitetura do lugar, e optou por uma pequena placa de acrílico para caracterizar o estabelecimento. 

A Eletrônica Sonora é um dos poucos lugares a manter originalidade (Foto: Felipe Azevedo)



"Valorizar a história dos prédios cratenses é uma constante busca nossa", diz o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, João Alves Lobo. Durante entrevista no fim de 2017, Lobo contou sobre uma viagem que fez junto com uma comitiva da prefeitura ao sul do Brasil.

Na visita, observaram como a gestão aproveitou o espaço no Centro, priorizando o passeio do pedestre e a arborização. Essa mudança se vê no piso intertravado nas principais ruas do comércio cratense. "A preocupação com as fachadas também existe, mas ainda não é uma regulação", destacou. 

Recentemente, o Miséria trouxe uma reportagem sobre um dos prédios antigos no entorno da Praça da Sé, que com o tempo já foi diversos estabelecimentos, sempre com a arquitetura preservada.



Por Felipe Azevedo/ Agência Miséria
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