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Saiba como a Vale planeja recuperar Brumadinho

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Ações, no entanto, ainda estão em fase preliminar, já que há 122 corpos desaparecidos nos meios dos escombros da tragédia e a prioridade é encontrá-los (Foto: Reprodução/ Notícias ao Minuto)
Em 07/03/2019 às 14:45

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) despejou 11,7 milhões de metros cúbicos de uma lama com alto teor de silício e ferro em uma área de vegetação nativa de mata atlântica. Com a destruição de 270 hectares de vegetação, ficou um desafio: como recuperar o ambiente destruído pela tragédia?

Em 5 de fevereiro, 12 dias após o rompimento da barragem, a Vale apresentou ao governo mineiro um plano de emergência de contenção dos rejeitos e reparação das áreas impactadas, segundo a Semad (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais).

O plano prevê retirar a lama com escavadeiras hidráulicas e pás mecânicas e estocar o material primeiro em uma área de preservação permanente no Paraopeba e depois em uma fazenda da Vale na região. Nessa fazenda, o rejeito será confinado em tubos, desidratado para adquirir uma forma sólida e sem contaminantes, e coberto com solo compactado onde espécies locais serão plantadas.

Para evitar que mais lama escorra com chuvas, a mineradora vai construir um dique na região destruída, com rochas de pedreiras de Betim (MG).

As ações, no entanto, ainda estão em fase preliminar, já que há 122 corpos desaparecidos nos meios dos escombros da tragédia da Vale e a prioridade é encontrá-los.

A mineradora só pode atuar onde o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais já descartou a possibilidade de encontrar corpos. Mesmo assim, o material retirado pela mineradora passará por triagem, com cães farejadores, para verificar se ainda há remanescentes humanos na lama.

Marcelo Gravina, professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e membro do CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia), explica que a camada de rejeitos impede o crescimento de vegetação na região atingida pela altíssima concentração de ferro e silício.

Gravina sugere recuperar a área com uma técnica conhecida como fitorremediação, que inclui o uso de plantas com alta capacidade de absorção para sugar os contaminantes do solo. O maricá, árvore nativa da mata atlântica, é uma opção, diz ele.

Há outras plantas, exóticas à vegetação do local, mas que, além da capacidade de absorção, podem virar fonte de receitas, sugere o pesquisador. É o caso do eucalipto, que pode servir para extração de madeira, e da mamona, que pode ser usada para a produção de óleo. O tomate também é uma boa "esponja", mas plantas alimentícias devem ser dispensadas para evitar a contaminação de seres humanos.

O desenvolvimento de espécies transgênicas com capacidade ainda maior de absorção não deve ser descartado, recomenda o pesquisador.

Segundo o Ibama, foram destruídos 133 hectares de vegetação nativa de mata atlântica e 71 hectares de área de preservação permanente ao longo dos cursos d´água afetados pelo rejeito.

Há quatro dutos da Petrobras na região, dois de óleo bruto, um de gás e um de fibra ótica, o que gerou preocupação na estatal, que enviou técnicos até o local para ver se suas estruturas poderiam ser comprometidas com as obras da Vale.

Após o rompimento da barragem da Samarco (que tinha a Vale como uma de suas controladoras) em Mariana (MG) em 2015, a mineradora também construiu diques para evitar que a lama continuasse a escorrer para os cursos d´água da região. A Fundação Renova, criada para mitigar os impactos daquele desastre, criou um plano de manejo de rejeitos, que prevê o tratamento da lama retirada do local.

RIO PARAOPEBA

O plano da Vale prevê intervenções emergenciais para conter e retirar a lama de rejeitos no rio Paraopeba, que desemboca no São Francisco e cruza o país. Inspeção da ONG SOS Mata Atlântica classificou a qualidade da água como péssima ou ruim em todos os 22 pontos de coleta e encontrou metais pesados, como manganês, cromo e cobre, além de bactérias comuns em cemitérios e aterros sanitários.

Para a ambientalista Malu Ribeiro, da SOS Mata Atlântica, a paisagem da região não deve voltar ao que era antes do rompimento da barragem. "A gente perdeu uma floresta primária, com uma rica diversidade de espécies. Vou ter que recompor primeiro o solo, redesenhar o desenho de riachos, já que o riacho Ferro-Carvão desapareceu, suas nascentes desapareceram. É possível recuperar, mas teremos uma paisagem diferente", diz ela.

Ela compara com o cenário do rio Doce, destruído em 2015 pelo rompimento de uma barragem da Samarco, que era controlada pela Vale e pela mineradora BHP Billiton. "Nos primeiros trechos, o rio não passa mais por onde passava", diz ela, que ressalta que, passado mais de três anos, quase nada foi feito na região.

Até agora, segundo a Vale, cinco barreiras hidráulicas foram instaladas ao longo do Paraopeba. A mineradora diz que monitora a qualidade da água, o acúmulo de sedimentos e a presença de organismos aquáticos em coletas diárias em 65 pontos do Paraopeba e do São Francisco.

O Governo de Minas Gerais já aplicou quatro multas ambientais à mineradora, que somam R$ 99,3 milhões, e o Ibama aplicou outras seis multas, de mais de R$ 250 milhões.

"A Vale pode realizar suas ações [de recuperação ambiental] com mais agilidade", disse a Semad (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de MG), em nota à Folha de S.Paulo.

"Nesse sentido, o Sisema [Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de MG] está exigindo, em parceria com os órgãos de controle, que as medidas sejam implantadas/executadas de modo mais efetivo."

NoticiasaoMinuto

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